O salão de festas
Nenhum ambiente da fazenda-hotel concentrava tanto investimento decorativo quanto o salão de festas. Era ali que se realizavam as reuniões noturnas que deram fama ao estabelecimento entre a sociedade fluminense da época, com música ao vivo, conversas prolongadas e encontros entre famílias de veranistas e moradores locais.
Piso de tábuas largas e acústica natural
O piso do salão era feito de tábuas largas de madeira de lei, assentadas sobre estrutura de vigas que conferia certa flexibilidade ao caminhar — detalhe lembrado por antigos frequentadores como parte da experiência sensorial do espaço. A madeira, além de sua função estrutural, contribuía para a acústica do ambiente, favorecendo apresentações musicais sem necessidade de qualquer amplificação.
No centro do teto, um lustre de cristal trazido de Lisboa em 1936 — peça que integra hoje a seção Caixa de Memórias deste acervo — concentrava a iluminação do salão durante as noites de maior movimento. Sua luz refratada em múltiplas direções criava um efeito visual marcante, descrito em relatos da época como um dos símbolos do requinte do estabelecimento.
Um palco para a vida social da serra
As paredes do salão eram ornamentadas com painéis de madeira entalhada, produzidos por artesãos locais, e por um conjunto de janelas altas que permitiam ventilação cruzada durante os eventos mais concorridos. Ao longo das paredes laterais, bancos estofados ofereciam lugares de descanso entre uma música e outra.
O salão recebia, com regularidade, pequenos grupos musicais formados por moradores da colônia de imigrantes e por músicos vindos do Rio de Janeiro durante a temporada de veraneio. Essas apresentações, somadas aos bailes de fim de semana, consolidaram o espaço como ponto de encontro social da região entre 1936 e 1946, período que é descrito em maior detalhe na seção vida social na fazenda.
Com o fechamento determinado pelo Decreto-Lei de 1946, o salão de festas perdeu sua função original, mas seu piso de tábuas largas e parte de sua estrutura decorativa permaneceram preservados ao longo das décadas seguintes, tema explorado em depois do decreto.