Curiosidades da imigração suíça
A história de Nova Friburgo está profundamente ligada à chegada de famílias de imigrantes suíços, a partir de 1820, convidadas pelo governo português a colonizar a região serrana do Rio de Janeiro. Essa comunidade deixou marcas duradouras na paisagem, na cultura material e, de forma indireta, na arquitetura de estabelecimentos como a fazenda-hotel do Salão, erguida mais de um século depois.
Uma colonização planejada
Diferentemente de outros processos de imigração europeia no Brasil, a vinda dos colonos suíços para Nova Friburgo foi resultado de um acordo formal entre o governo português e representantes de cantões suíços, motivado pela crise econômica que atingia a Suíça no início do século XIX. As famílias que se instalaram na região trouxeram consigo técnicas de carpintaria, hábitos domésticos e um repertório estético que se misturaria, ao longo das gerações, às tradições locais.
Marcas na paisagem construída
Entre os traços mais visíveis dessa herança está a presença de telhados com inclinação mais acentuada que o padrão das construções coloniais brasileiras, solução adaptada originalmente ao clima de neve da Suíça e mantida, por tradição familiar, mesmo no clima tropical de altitude da Serra Fluminense. Essa característica aparece em diversas construções da região e influenciou, em menor escala, elementos decorativos da própria fazenda-hotel do Salão.
Outro traço cultural notável é a valorização de instrumentos musicais domésticos, como pianos de armário e relógios de parede fabricados na Suíça — peças que, como visto na seção Caixa de Memórias, encontravam lugar de destaque também no interior da fazenda-hotel.
Um legado gastronômico e social
A comunidade de origem suíça também deixou contribuições na gastronomia regional, com receitas de embutidos e queijos que se tornaram parte da identidade culinária de Nova Friburgo. Essa herança, somada às tradições de hospitalidade e convívio social valorizadas pelos colonos, ajuda a explicar por que a região se consolidou, já no século XX, como polo de turismo de montanha — contexto em que a fazenda-hotel do Salão encontrou seu público, como descrito em vida social na fazenda.